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Aprendendo a ler

Posted by Luiz Claudio em 18/05/2010

O marco final do período denominado pré-História foi a invenção da escrita. A partir do momento em que o homem aprendeu a expressar suas ideias não mais por desenhos nas pedras e nas cavernas, e sim por meio de representações gráficas dos fonemas que sua voz formava, surgiu a palavra escrita, como forma de eternizar feitos, ações, sentimentos, pensamentos, entre outras manifestações da profícua mente humana. Entretanto, após seis milênios, aproximadamente, do domínio da arte de escrever, e depois de uma produção literária vastíssima, o homem vem desaprendendo a origem e o fim da escrita: a leitura.

Não é de surpreender que, nos últimos anos, crianças e jovens sequer saibam ler e escrever direito. Segundo dados do IBOPE, no Brasil, o número de analfabetos funcionais, aqueles que, mesmo tendo condições de minimamente decodificar os símbolos da escrita não conseguem desenvolver a habilidade de interpretar e compreender um texto, somados aos completamente analfabetos, 75% da população não dominam com habilidade a linguagem codificada. De boa parte dos outros 25%, o grande problema reside na ausência da leitura, hábito que vem sendo abandonado paulatinamente, conforme o correr dos anos.

Se, por um lado, a internet veio ajudar na democratização da produção literária, seja pela propagação de e-books, seja pela possibilidade de meros anônimos divulgar na rede seus conhecimentos e textos, através de blogs, sites, etc., por outro lado ela tem contribuído seriamente para o abandono da norma culta. O internetês, passo a passo, vem substituindo a língua portuguesa correta, a última flor do Lácio, inserindo na população uma espécie de norma paralela. Não que, no ambiente virtual, seja de todo errado o uso de códigos apropriados, pelo contrário. Porém essa linguagem paralela não pode ultrapassar a fronteira do que é virtual e adentrar no mundo real, suprimindo e substituindo a linguagem em sua norma oficial.

Por certo a língua portuguesa não é das mais fáceis. Símbolos distintos para transmitir o mesmo fonema é apenas uma das dificuldades que podemos apontar no idioma, além de regras e exceções que exigem raciocínio para serem corretamente usadas.

Contudo, a melhor forma de se dominar a língua ainda é a leitura. O bom leitor, naturalmente, tende a ser um bom escritor, dominando as normas gramaticais e ortográficas. Se não por saber como se escreve, pelo menos por distinguir a estética das palavras. Estranho é, de fato. Porém, nada há de mais urgente para o povo brasileiro que, como fizeram os povos antigos, novamente, aprenda ele a ler. E a leitura não tem que ser pesada. Tem que ser lúdica. No dizer de Rubem Alves, a leitura é uma brincadeira, pois “um livro é um brinquedo feito com letras”.

A partir da próxima semana, às terças-feiras, o carrinhodepipoca.com indicará um bom livro a seus leitores.

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Analisando: “Por que você não quer mais ir à igreja?”

Posted by Luiz Claudio em 27/07/2009

http://3.bp.blogspot.com/_leEMiOy4MEg/SmnG-xGsaaI/AAAAAAAADOM/15bZOMw7GvQ/s1600/igreja_120.jpgDepois de ler o intrigante A Cabana, decidi ler o não menos polêmico Por que você não quer mais ir à igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, editado no Brasil pela Sextante, mesmo selo de best sellers como O monge e o executivo, O Código da Vinci, Anjos e Demônios e o próprio A Cabana.

O enredo traz a história de Jake Colsen, um pastor cheio de dúvidas que encontra em seu ministério um misterioso João, a quem julga ser o discípulo amado de Jesus, que permaneceu vivo através de dois milênios. Em encontros esporádicos e não menos inusitados com João, Colsen esclarece alguns de seus questionamentos sobre a vida com Deus, a estrutura da igreja e revela sua insatisfação com o modelo institucionalizado de igreja, da qual ele mesmo, Jake Colsen, era um dos pastores.

Desolado com as reviravoltas de seu ministério, o qual decide abandonar, Jake procura conhecer outros modelos de comunidades cristãs, fora dos padrões engessados de igrejas institucionais que atravessaram os séculos e chegaram até nós.

Naturalmente, o enredo da obra é um convite à reflexão sobre a situação de diversas igrejas, muitas delas nas quais o leitor pode estar inserido. Creio que pessoas que têm um bom relacionamento com Deus em suas comunidades eclesiais e conceitos bem firmados no que elas representam em suas vidas não terão problemas em interpretar a obra como um simples chamado ao refletir sobre a igreja. Entretanto, temo que pessoas que estão descontentes com seus ministérios e vidas em comunidades e igrejas diversas sejam confrontadas em suas opiniões e, certamente, podem deixar pelo caminho sua convivência com outros irmãos no Corpo de Cristo.

Fato é que, frente ao caleidoscópio eclesiástico que vimos nestes dias de pós-modernidade, em poucos lugares podemos ver, verdadeiramente, reflexos da verdadeira igreja – o Corpo místico de Cristo. Contudo, vale ressaltar que nem tudo está perdido. Embora muitas organizações abandonem seu chamado para ser Corpo, talvez como aquela que Jake Colsen pastoreava, tantas outras ainda conservam em sua vida diária a vocação e o exercício da verdadeira comunhão entre pessoas e o Cabeça da Igreja, Cristo, o Mestre.

Tenho para mim que, ainda que aparentemente falido, o modelo de igreja como instituição não deve ser deixado de lado, porém ele não pode, jamais, suplantar a ideia de igreja como um corpo e como uma família.

No geral, a obra é uma boa ficção e, como sua antecessora A Cabana, convida o leitor à uma reflexão sobre seu relacionamento com Deus e com o próximo. Como observei, há alguns domingos, em uma aula de Escola Dominical, a busca por obras que, de certa forma, estimulam o leitor ao conhecimento e à reflexão sobre sua condição frente e ao lado de seu Criador é altamente positiva, e um reflexo claro de que todos, independente de confissão religiosa, devemos conhecer a Deus e buscá-lo, enquanto o podemos achar.

Há quatro semanas o livro encontra-se na lista dos mais vendidos da Veja, entre outras relações de livros mais vendidos. A principal ferramenta de divulgação do livro tem sido a blogosfera, através de blogueiros e blogueiras que o promovem e comentam – elogiando-o ou não.

Serviço:

Por que você não quer mais ir à igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, tradução de André Costa,207p. Editora Sextante (Rio de Janeiro – RJ). Preço: R$ 19,90 (aproximadamente).

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Venha como você está

Posted by Luiz Claudio em 03/07/2009

Acabo de ler a obra Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja (título original: No perfect people allowed: creating a come as you are culture in the church), de John Burke. Como sugere o título, o livro traz a mensagem de que a igreja deve estar aberta às pessoas da forma em que elas se encontram, quebrando as barreiras do preconceito e da não-aceitação, em especial na cultura pós-moderna em que vivemos.

Burke é pastor da Gateway Church, uma comunidade não-denominacional sediada em Austin (Texas), nos Estados Unidos. Em seu ministério, procurou desenvolver uma cultura “venha como você está”, enfatizando a possibilidade de a igreja receber a todos, sem qualquer distinção, em seu meio. No livro, Burke conta testemunhos de pessoas viciadas, cheias de conflitos familiares e religiosos, vivendo em meio aos mais diversos pecados, que foram recebidas na Gateway e transformadas pela graça libertadora de Cristo, a partir da tolerância da igreja em acolher tais pessoas. Muitas delas, ao se integrarem aos pequenos grupos e ao Corpo, passaram também a servir na igreja de acordo com seus dons e habilidades, inclusive ajudando outros a se libertarem das amarras e prisões nas quais elas mesmas outrora se encontravam.

É um livro fantástico, muito abrangente nas questões mais cruciais de aceitação na vida da igreja. Deveria ser de leitura obrigatória para líderes, pastores e pessoas comprometidas com a igreja, para que eles possam ver que, ao contrário de muitos deles, Jesus Cristo aceita a todos como estão, porém não deixa que eles permaneçam do mesmo jeito.

Serviço:

Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja, de John Burke, tradução de Onofre Muniz, 415p. Editora Vida (São Paulo – SP). Preço: R$ 29,00 (aproximadamente).

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Crítica literária: Lendo as Escrituras com os pais da Igreja

Posted by Luiz Claudio em 19/05/2009

Sempre fui apaixonado pela patrística. A forma de vida dos antigos pais da igreja pós-apostólica me impressionava, pela coragem que eles possuíam em defender as questões primordiais de fé em um contexto que, embora mais próximos temporalmente de Cristo e dos primeiros apóstolos, não possuía as facilidades e recursos acadêmicos, históricos, teológicos e gramaticais de hoje. Os pais foram, de fato, homens consagrados ao Evangelho, seu estudo, ensino e cuidado pastoral. Viveram a Palavra dentro do contexto da Igreja, interpretando-a para os fiéis de seu tempo. Seus escritos, contudo, nos inspiram até os dias atuais, e muitos deles serviram de base para variados teólogos modernos. Hoje, ainda, têm muito a ensinar a nós por sua experiência prática e por seu conhecimento das Escrituras.

Lendo as Escrituras com os pais da Igreja, de autoria de Christopher Hall, professor americano, traz notas sobre a exegese que os pais da Igreja pós-apostólica faziam em Antioquia e Alexandria. Em suas páginas, o autor justifica a importância de ler os antigos doutores da Igreja e qual a sua importância para a interpretação bíblica ainda hoje. Estuda sobre quem eram os pais, quais eram os requisitos para que alguém fosse proclamado como Pai da Igreja e, de forma muito interessante, sobre as mulheres consagradas daquela época, as mães da Igreja.

São destacados quatro doutores do Oriente (Atanásio, Gregório de Nazianzo, Basílio o Grande e João Crisóstomo) e quatro do Ocidente (Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gregório o Grande), suas formas de interpretação da Escritura, além de uma breve biografia e complementação bibliográfica de cada um deles.

Contudo, pesa contra o livro que a edição brasileira, traduzida por Rubens Castilho e Meire Santos, é simplesmente uma tradução, não trazendo no bojo do texto como complementação bibliográfica obras dos pais traduzidas em português e onde poderiam ser elas encontradas. A diagramação também teve algumas falhas, visto que, em vários capítulos, é frequente encontrar erros de digitação, principalmente quanto a espaços suprimidos entre palavras.

No geral, a obra é excelente, e certamente deveria ser lida por todo cristão que deseja entrar a fundo na exegese bíblica, conhecendo como os primeiros cristãos estudavam as Escrituras, diante de todas as dificuldades que os pais possuíam para fazê-lo.

Serviço:

Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja, de Christopher A. Hall, tradução de Rubens Castilho e Meire Santos, 244p. Editora Ultimato (Viçosa – MG), preço: R$ 37,20. Site da editora: www.ultimato.com.br

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Secretaria de Educação distribui livros com conteúdo sexual para crianças de 9 anos em SP

Posted by Luiz Claudio em 19/05/2009

Alguns meses depois de a mesma Secretaria de Educação do governo paulista distribuir livros didáticos de geografia que traziam em suas páginas dois Uruguais e o Paraguai colocado no lugar errado, uma nova distribuição de livros às crianças paulistas chama a atenção.

A Folha de S.Paulo noticiou hoje que a Secretaria de Educação de São Paulo distribuiu às escolas estaduais 1.216 exemplares do livro “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”, contendo 11 histórias escritas por diversos autores, com temas relacionados ao futebol, porém algumas com conotações sexuais. A distribuição dos livros faz parte do programa Ler e Escrever, do governo paulista. O título seria usado como material de apoio para alfabetização de crianças da terceira série, de aproximadamente nove anos de idade.

A obra, que contém histórias em quadrinhos, é recheada de expressões de baixo calão, como “cu”, “chupa rola” e “chupava ela todinha”, além de outras preciosidades do vocabulário chulo brasileiro.

O governo de São Paulo disse, em nota, que os livros foram recolhidos e que foi instaurada sindicância para apurar a responsabilidade de quem escolheu a obra para figurar no catálogo de livros a serem lidos pelas crianças do estado.

Segundo o cartunista Caco Galhardo, autor de uma das histórias mais criticadas do livro, este não era destinado a alunos da faixa etária a que foi proposta, e que os responsáveis pela escolha da obra não o haviam lido para incluí-lo na lista.

É absurdo ver que as pessoas que deveriam prezar pela escolha de obras de conteúdo pedagógico adequadas para crianças em idade de desenvolver a leitura tenham tanta falta de cuidado em incluir livros que, para pessoas mais velhas, podem ser instrutivos ou divertidos, porém para crianças não o são. O Brasil precisa, urgentemente, de leitores, conscientes, que saibam a importância que os livros possuem na formação da opinião popular. E é na escola que as crianças aprenderão a ler, sendo necessário que o façam a partir de obras e autores de qualidade e com compromisso com sua formação intelectual e moral.

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