O marco final do período denominado pré-História foi a invenção da escrita. A partir do momento em que o homem aprendeu a expressar suas ideias não mais por desenhos nas pedras e nas cavernas, e sim por meio de representações gráficas dos fonemas que sua voz formava, surgiu a palavra escrita, como forma de eternizar feitos, ações, sentimentos, pensamentos, entre outras manifestações da profícua mente humana. Entretanto, após seis milênios, aproximadamente, do domínio da arte de escrever, e depois de uma produção literária vastíssima, o homem vem desaprendendo a origem e o fim da escrita: a leitura.
Não é de surpreender que, nos últimos anos, crianças e jovens sequer saibam ler e escrever direito. Segundo dados do IBOPE, no Brasil, o número de analfabetos funcionais, aqueles que, mesmo tendo condições de minimamente decodificar os símbolos da escrita não conseguem desenvolver a habilidade de interpretar e compreender um texto, somados aos completamente analfabetos, 75% da população não dominam com habilidade a linguagem codificada. De boa parte dos outros 25%, o grande problema reside na ausência da leitura, hábito que vem sendo abandonado paulatinamente, conforme o correr dos anos.
Se, por um lado, a internet veio ajudar na democratização da produção literária, seja pela propagação de e-books, seja pela possibilidade de meros anônimos divulgar na rede seus conhecimentos e textos, através de blogs, sites, etc., por outro lado ela tem contribuído seriamente para o abandono da norma culta. O internetês, passo a passo, vem substituindo a língua portuguesa correta, a última flor do Lácio, inserindo na população uma espécie de norma paralela. Não que, no ambiente virtual, seja de todo errado o uso de códigos apropriados, pelo contrário. Porém essa linguagem paralela não pode ultrapassar a fronteira do que é virtual e adentrar no mundo real, suprimindo e substituindo a linguagem em sua norma oficial.
Por certo a língua portuguesa não é das mais fáceis. Símbolos distintos para transmitir o mesmo fonema é apenas uma das dificuldades que podemos apontar no idioma, além de regras e exceções que exigem raciocínio para serem corretamente usadas.
Contudo, a melhor forma de se dominar a língua ainda é a leitura. O bom leitor, naturalmente, tende a ser um bom escritor, dominando as normas gramaticais e ortográficas. Se não por saber como se escreve, pelo menos por distinguir a estética das palavras. Estranho é, de fato. Porém, nada há de mais urgente para o povo brasileiro que, como fizeram os povos antigos, novamente, aprenda ele a ler. E a leitura não tem que ser pesada. Tem que ser lúdica. No dizer de Rubem Alves, a leitura é uma brincadeira, pois “um livro é um brinquedo feito com letras”.
A partir da próxima semana, às terças-feiras, o carrinhodepipoca.com indicará um bom livro a seus leitores.




Depois de ler o intrigante A Cabana, decidi ler o não menos polêmico Por que você não quer mais ir à igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, editado no Brasil pela Sextante, mesmo selo de best sellers como O monge e o executivo, O Código da Vinci, Anjos e Demônios e o próprio A Cabana.
Acabo de ler a obra Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja (título original: No perfect people allowed: creating a come as you are culture in the church), de John Burke. Como sugere o título, o livro traz a mensagem de que a igreja deve estar aberta às pessoas da forma em que elas se encontram, quebrando as barreiras do preconceito e da não-aceitação, em especial na cultura pós-moderna em que vivemos.
O cantor, compositor, multi-instrumentista, escritor e publicitário Zé Rodix faleceu no início da madrugada de hoje, em São Paulo. O músico estava em sua residência quando passou mal e foi levado ao Hospital das Clíncias, onde morreu ao dar entrada. Zé Rodrix tinha 61 anos de idade e, segundo a esposa, ele estava muito bem de saúde.
Sempre fui apaixonado pela patrística. A forma de vida dos antigos pais da igreja pós-apostólica me impressionava, pela coragem que eles possuíam em defender as questões primordiais de fé em um contexto que, embora mais próximos temporalmente de Cristo e dos primeiros apóstolos, não possuía as facilidades e recursos acadêmicos, históricos, teológicos e gramaticais de hoje. Os pais foram, de fato, homens consagrados ao Evangelho, seu estudo, ensino e cuidado pastoral. Viveram a Palavra dentro do contexto da Igreja, interpretando-a para os fiéis de seu tempo. Seus escritos, contudo, nos inspiram até os dias atuais, e muitos deles serviram de base para variados teólogos modernos. Hoje, ainda, têm muito a ensinar a nós por sua experiência prática e por seu conhecimento das Escrituras.