Vara cível em Alagoas, fechada a oito meses, acumula 290 mil processos
Um dos mais graves problemas que cercam a justiça brasileira é a falta de acesso que o povo tem à prestação jurisdicional. Apesar de, nos últimos anos, inúmeras iniciativas do Legislativo e do Judiciário estarem sendo tomadas para se facilitar o acesso, ainda podemos ver, claramente, que não são todos os brasileiros que conseguem obter a rápida solução judicial de seus conflitos e, quando conseguem, normalmente isso demora absurdamente.
O Uol Notícias trouxe, hoje, a informação de que a 15º Vara Cível da comarca de Maceió, capital do estado de Alagoas, está fora de sua sede há oito meses, quando iniciou-se uma reforma no prédio em decorrência de tremores, que causaram sua interdição pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), uma vez que corria risco de desabar. Com a interdição, a vara foi deslocada para salas em um pequeno shopping, localizado no mesmo bairro. A vara, que recebe entre 17 e 20 mil processos por mês, amontoa nada menos que 260 mil processos no chão da sala desse shopping. Outros 30 mil já foram distribuídos e aguardam ser entregues ao órgão, totalizando aproximadamente 290 mil processos que aguardam decisão judicial.
A reforma na sede já foi concluída, contudo o cartório ainda não pode funcionar no local pois faltam softwares para interligação do órgão com o Tribunal de Justiça e com a Prefeitura, já que essa vara é responsável pelos processos envolvendo tributos municipais, como IPTU e ISS.
Eis o retrato da justiça brasileira. Os processos que estão amontoados no chão são um emblema de que a dignidade da própria justiça também está lançada ao chão ou abaixo dele. Há um descaso muito grande por parte dos poderes constituídos que simplesmente igonoram a necessidade que o povo brasileiro tem de justiça e que essa seja rápida. Dizem por aí que a justiça, no Brasil, tarda mas não falha. Contudo vale lembrar que justiça tardia já é justiça falha, pois, muitas vezes, as necessidades do povo são imediatas. Pelo menos, na eternidade, resta-lhe a esperança de que são “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mateus 5.6).

Deu na Folha de S.Paulo: Febraban paga encontro de juízes em resort. No feriado prolongado de 21 de abril, 42 ministros, desembargadores e juízes do trabalho – devidamente escolhidos a dedo e convidados – participaram de um evento promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) em um resort paradisíaco na Praia do Forte, na Bahia, acompanhados, é claro, de suas famílias. O que cada juiz teve de pagar pelo pacote? Nada! Todo o custo com passagens, hospedagem e alimentação foi bancado pela Febraban, sendo que, num local desses, a diária de cada um dos 293 apartamentos chega a merrecas R$ 798,00.
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