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Analisando: “Por que você não quer mais ir à igreja?”

Posted by Luiz Claudio em 27/07/2009

http://3.bp.blogspot.com/_leEMiOy4MEg/SmnG-xGsaaI/AAAAAAAADOM/15bZOMw7GvQ/s1600/igreja_120.jpgDepois de ler o intrigante A Cabana, decidi ler o não menos polêmico Por que você não quer mais ir à igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, editado no Brasil pela Sextante, mesmo selo de best sellers como O monge e o executivo, O Código da Vinci, Anjos e Demônios e o próprio A Cabana.

O enredo traz a história de Jake Colsen, um pastor cheio de dúvidas que encontra em seu ministério um misterioso João, a quem julga ser o discípulo amado de Jesus, que permaneceu vivo através de dois milênios. Em encontros esporádicos e não menos inusitados com João, Colsen esclarece alguns de seus questionamentos sobre a vida com Deus, a estrutura da igreja e revela sua insatisfação com o modelo institucionalizado de igreja, da qual ele mesmo, Jake Colsen, era um dos pastores.

Desolado com as reviravoltas de seu ministério, o qual decide abandonar, Jake procura conhecer outros modelos de comunidades cristãs, fora dos padrões engessados de igrejas institucionais que atravessaram os séculos e chegaram até nós.

Naturalmente, o enredo da obra é um convite à reflexão sobre a situação de diversas igrejas, muitas delas nas quais o leitor pode estar inserido. Creio que pessoas que têm um bom relacionamento com Deus em suas comunidades eclesiais e conceitos bem firmados no que elas representam em suas vidas não terão problemas em interpretar a obra como um simples chamado ao refletir sobre a igreja. Entretanto, temo que pessoas que estão descontentes com seus ministérios e vidas em comunidades e igrejas diversas sejam confrontadas em suas opiniões e, certamente, podem deixar pelo caminho sua convivência com outros irmãos no Corpo de Cristo.

Fato é que, frente ao caleidoscópio eclesiástico que vimos nestes dias de pós-modernidade, em poucos lugares podemos ver, verdadeiramente, reflexos da verdadeira igreja – o Corpo místico de Cristo. Contudo, vale ressaltar que nem tudo está perdido. Embora muitas organizações abandonem seu chamado para ser Corpo, talvez como aquela que Jake Colsen pastoreava, tantas outras ainda conservam em sua vida diária a vocação e o exercício da verdadeira comunhão entre pessoas e o Cabeça da Igreja, Cristo, o Mestre.

Tenho para mim que, ainda que aparentemente falido, o modelo de igreja como instituição não deve ser deixado de lado, porém ele não pode, jamais, suplantar a ideia de igreja como um corpo e como uma família.

No geral, a obra é uma boa ficção e, como sua antecessora A Cabana, convida o leitor à uma reflexão sobre seu relacionamento com Deus e com o próximo. Como observei, há alguns domingos, em uma aula de Escola Dominical, a busca por obras que, de certa forma, estimulam o leitor ao conhecimento e à reflexão sobre sua condição frente e ao lado de seu Criador é altamente positiva, e um reflexo claro de que todos, independente de confissão religiosa, devemos conhecer a Deus e buscá-lo, enquanto o podemos achar.

Há quatro semanas o livro encontra-se na lista dos mais vendidos da Veja, entre outras relações de livros mais vendidos. A principal ferramenta de divulgação do livro tem sido a blogosfera, através de blogueiros e blogueiras que o promovem e comentam – elogiando-o ou não.

Serviço:

Por que você não quer mais ir à igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, tradução de André Costa,207p. Editora Sextante (Rio de Janeiro – RJ). Preço: R$ 19,90 (aproximadamente).

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Venha como você está

Posted by Luiz Claudio em 03/07/2009

Acabo de ler a obra Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja (título original: No perfect people allowed: creating a come as you are culture in the church), de John Burke. Como sugere o título, o livro traz a mensagem de que a igreja deve estar aberta às pessoas da forma em que elas se encontram, quebrando as barreiras do preconceito e da não-aceitação, em especial na cultura pós-moderna em que vivemos.

Burke é pastor da Gateway Church, uma comunidade não-denominacional sediada em Austin (Texas), nos Estados Unidos. Em seu ministério, procurou desenvolver uma cultura “venha como você está”, enfatizando a possibilidade de a igreja receber a todos, sem qualquer distinção, em seu meio. No livro, Burke conta testemunhos de pessoas viciadas, cheias de conflitos familiares e religiosos, vivendo em meio aos mais diversos pecados, que foram recebidas na Gateway e transformadas pela graça libertadora de Cristo, a partir da tolerância da igreja em acolher tais pessoas. Muitas delas, ao se integrarem aos pequenos grupos e ao Corpo, passaram também a servir na igreja de acordo com seus dons e habilidades, inclusive ajudando outros a se libertarem das amarras e prisões nas quais elas mesmas outrora se encontravam.

É um livro fantástico, muito abrangente nas questões mais cruciais de aceitação na vida da igreja. Deveria ser de leitura obrigatória para líderes, pastores e pessoas comprometidas com a igreja, para que eles possam ver que, ao contrário de muitos deles, Jesus Cristo aceita a todos como estão, porém não deixa que eles permaneçam do mesmo jeito.

Serviço:

Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja, de John Burke, tradução de Onofre Muniz, 415p. Editora Vida (São Paulo – SP). Preço: R$ 29,00 (aproximadamente).

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Já vi esse filme antes…

Posted by Luiz Claudio em 20/05/2009

O ano era 1997. 4 de junho, para ser mais preciso. Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República, havia conseguido aprovar no Congresso Nacional a fatídica emenda constitucional nº. 16, que permitia que ocupantes de cargos eletivos no Poder Executivo, de todos os níveis, fossem reconduzidos (reeleitos) a outro mandato sucessivo. Com isso, em outubro de 1998, FHC seria o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito para mandatos consecutivos na história da República.

Naquela época, um sindicalista que, frustrado, havia concorrido a dois pleitos eleitorais para a presidência (1989 e 1994), sendo derrotado em ambos, cujo nome era Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, um dos poucos realmente de esquerda existentes no país naqueles tempos e que fazia ferrenha oposição ao governo FHC, havia esbravejado contra a aprovação dessa emenda. Como a arapongagem não é novidade no Brasil, já naquele 1997, a Folha de S.Paulo havia publicado notícias de que investigações baseadas em grampos telefônicos davam conta de que um certo governador de um estado brasileiro pagara aproximadamente US$ 200 mil para que 4 deputados votassem a favor da emenda da reeleição.

Investiga daqui, investiga dali, nada foi, entretanto, comprovado. O tempo passou e, em 2002, FHC tentou emplacar seu candidato à presidência da República, o ex-Ministro da Saúde e Senador José Serra. Não conseguiu. Lula foi eleito no segundo turno com 53 milhões de votos, 61% do total. De oposição sistemática, o PT passou a governar o país, usando de expedientes nada ortodoxos, talvez menos ortodoxos ainda que os do partido ao qual antes era oposição. Lula, o presidente, que poderia simplesmente propor a revogação da emenda constitucional que permitiu a seu antecessor ser reeleito, nada fez. Em 2006, disputou a reeleição, quando foi eleito no segundo turno, novamente, com 58 milhões de votos válidos e com a promessa de transformar o Brasil em um grande canteiro de obras, embora nos quatro anos anteriores a nação tivesse um crescimento pífio, em um cenário internacional extremamente positivo.

Lula, antes oposição, agora governo, simplesmente ignorou todo o histórico de lutas que o Partido dos Trabalhadores teve no passado, para garantir a cláusula republicana e democrática da alternância do poder. Disputou novas eleições pois, se o anterior pode, ele também poderia ser reeleito.

Hoje, 2009, o Brasil anda às voltas com um novo capítulo dessa série. Parlamentares se mobilizam por propor à nação um plebiscito que permita ao Presidente da República disputar um terceiro mandato. Lula, ecoando as vozes que foram ouvidas nos corredores do PT, vem dizendo que não haverá disputa de outro mandato. Pelo menos até alguma emenda nesse sentido ser apresentada e aprovada – com ou sem mala preta – nos bastidores do Congresso Nacional.

De certa forma, temos que aguardar para ver se essa proposta vingará. Se Lula puder disputar um terceiro mandato, ele o fará, com a mesma inescrupulosidade que o fez quando disputou a reeleição em 2006. Se as regras do jogo permitirem, ele vai jogar conforme elas, doa a quem doer, haja o prejuízo que houver à democracia republicana que o Brasil abraçou no passado e agora o faz desde 1988. Seria um tremendo retrocesso institucional se houver essa possibilidade. Contudo, exemplos (maus, por sinal), Lula tem aos montes aí fora: Fidel Castro, Hugo Chavez, Evo Morales. Todos amiguinhos vermelhos do Presidente da República que outrora condenava as coisas que hoje ele defende.

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Crítica literária: Lendo as Escrituras com os pais da Igreja

Posted by Luiz Claudio em 19/05/2009

Sempre fui apaixonado pela patrística. A forma de vida dos antigos pais da igreja pós-apostólica me impressionava, pela coragem que eles possuíam em defender as questões primordiais de fé em um contexto que, embora mais próximos temporalmente de Cristo e dos primeiros apóstolos, não possuía as facilidades e recursos acadêmicos, históricos, teológicos e gramaticais de hoje. Os pais foram, de fato, homens consagrados ao Evangelho, seu estudo, ensino e cuidado pastoral. Viveram a Palavra dentro do contexto da Igreja, interpretando-a para os fiéis de seu tempo. Seus escritos, contudo, nos inspiram até os dias atuais, e muitos deles serviram de base para variados teólogos modernos. Hoje, ainda, têm muito a ensinar a nós por sua experiência prática e por seu conhecimento das Escrituras.

Lendo as Escrituras com os pais da Igreja, de autoria de Christopher Hall, professor americano, traz notas sobre a exegese que os pais da Igreja pós-apostólica faziam em Antioquia e Alexandria. Em suas páginas, o autor justifica a importância de ler os antigos doutores da Igreja e qual a sua importância para a interpretação bíblica ainda hoje. Estuda sobre quem eram os pais, quais eram os requisitos para que alguém fosse proclamado como Pai da Igreja e, de forma muito interessante, sobre as mulheres consagradas daquela época, as mães da Igreja.

São destacados quatro doutores do Oriente (Atanásio, Gregório de Nazianzo, Basílio o Grande e João Crisóstomo) e quatro do Ocidente (Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gregório o Grande), suas formas de interpretação da Escritura, além de uma breve biografia e complementação bibliográfica de cada um deles.

Contudo, pesa contra o livro que a edição brasileira, traduzida por Rubens Castilho e Meire Santos, é simplesmente uma tradução, não trazendo no bojo do texto como complementação bibliográfica obras dos pais traduzidas em português e onde poderiam ser elas encontradas. A diagramação também teve algumas falhas, visto que, em vários capítulos, é frequente encontrar erros de digitação, principalmente quanto a espaços suprimidos entre palavras.

No geral, a obra é excelente, e certamente deveria ser lida por todo cristão que deseja entrar a fundo na exegese bíblica, conhecendo como os primeiros cristãos estudavam as Escrituras, diante de todas as dificuldades que os pais possuíam para fazê-lo.

Serviço:

Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja, de Christopher A. Hall, tradução de Rubens Castilho e Meire Santos, 244p. Editora Ultimato (Viçosa – MG), preço: R$ 37,20. Site da editora: www.ultimato.com.br

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